sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Como tu dirias, meu querido Poeta _ Maria Azenha
![]() |
Para os gregos antigos, os poetas eram aqueles que estavam mais próximos dos deuses
|
Como tu dirias,
meu querido Poeta
No inverno vêem-se cães
nas avenidas
que passeiam homens com trelas invisíveis.
E não sei porque fixo esta imagem que teima em perseguir-me.
Procuro desde o começo dar-lhe um sentido,
sem lençol nem cama nem moralismos.
( Apre! Estou constipada, já dei mais um espirro!)
Vejo nas ruas flores prisioneiras em casas
e bancos de pedra onde se sentam, sem ninguém ver, beijos de neve…
Como tu dirias, meu querido Poeta,
que me ensinaste a ver e retirar a venda dos olhos,
,que me entregaste a chave dos mistérios,
,que bebeste à mais alta existência do nada,
,que cantaste a glória de vozes cansadas,
Tu,um vaso de néctar bebido por uma só Palavra,
numa só Hora…
Tu,as manhãs lisas do meu silêncio eterno,
Tu,a quem dedico estas linhas a partir de um precipício…simplesmente belo…
Tu, Tu, Tu…
“Feliz,o que sem ódio, se retira do mundo, apertando ao peito um amigo
e goza com ele o que os homens não sabem nem suspeitam,
o que atravessa na noite o labirinto do coração.”(*)
Ah,somos crianças sentadas no passeio a jogar aos dados…
E nos damos visões,de graça…
que passeiam homens com trelas invisíveis.
E não sei porque fixo esta imagem que teima em perseguir-me.
Procuro desde o começo dar-lhe um sentido,
sem lençol nem cama nem moralismos.
( Apre! Estou constipada, já dei mais um espirro!)
Vejo nas ruas flores prisioneiras em casas
e bancos de pedra onde se sentam, sem ninguém ver, beijos de neve…
Como tu dirias, meu querido Poeta,
que me ensinaste a ver e retirar a venda dos olhos,
,que me entregaste a chave dos mistérios,
,que bebeste à mais alta existência do nada,
,que cantaste a glória de vozes cansadas,
Tu,um vaso de néctar bebido por uma só Palavra,
numa só Hora…
Tu,as manhãs lisas do meu silêncio eterno,
Tu,a quem dedico estas linhas a partir de um precipício…simplesmente belo…
Tu, Tu, Tu…
“Feliz,o que sem ódio, se retira do mundo, apertando ao peito um amigo
e goza com ele o que os homens não sabem nem suspeitam,
o que atravessa na noite o labirinto do coração.”(*)
Ah,somos crianças sentadas no passeio a jogar aos dados…
E nos damos visões,de graça…
© maria azenha
(*) Goethe
3 de Janeiro de 2017
***«»***
Os poetas são os matemáticos
que desenham a curvatura do amor na esfera armilar.
Os poetas são os físicos
que melhor conhecem as leis da atracção universal
e os segredos dos astros.
São os alquimistas
que tudo transmudam em ouro e em prata.
São os únicos humanos
que os deuses imitam, para sobreviver.
Por isso, são imortais, na alma e no pensamento,
porque os seus poemas, levados pelo vento,
atravessam a espessura e a escuridão do Tempo.
que desenham a curvatura do amor na esfera armilar.
Os poetas são os físicos
que melhor conhecem as leis da atracção universal
e os segredos dos astros.
São os alquimistas
que tudo transmudam em ouro e em prata.
São os únicos humanos
que os deuses imitam, para sobreviver.
Por isso, são imortais, na alma e no pensamento,
porque os seus poemas, levados pelo vento,
atravessam a espessura e a escuridão do Tempo.
Alexandre
de Castro
***
Querida “poeta”: um poema magnífico, com um mistério
para os poetas decifrarem.
sábado, 26 de novembro de 2016
Para Fidel Castro…
Para Fidel Castro…
As
árvores ficaram despidas e nuas
quando
a tua voz se calou na sombra da noite
e os
astros incandescentes se apagaram
ouviram-se
os pássaros pendurados nos alpendres
e um
relâmpago riscou o céu
da
Serra Maestra até Havana
a
iluminar o caminho da glória
da tua
marcha heróica e triunfal…
Agora,
junto a tua voz à minha memória
e à
memória da voz do companheiro Che Guevara,
o outro
astro incandescente da nova aurora
o outro
herói da gesta revolucionária
que
acendeu em nós a chama da liberdade
e que
morreu lutando pelo sonho que sonhou…
…
Hasta siempre, comandante Fidel Castro…
Alexandre de Castro
Lisboa, Novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
Agarrei o beijo…
Agarrei
o beijo…
agarrei o beijo
na volatilidade do ar
e beijei o beijo
como se te beijasse a ti
soprado pelos teus lábios
vinha no enlevo do carinho
e aqueceu o que em mim já
estava frio
e depois voou
levando o meu beijo
invertendo o caminho
para chegar ao fim do seu
destino
um destino que será o meu…
Alexandre de Castro
Lisboa,
Novembro de 2016
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Homo erectus
Homo erectus
Foi através da mão
que ganhaste o pensamento, oh
Homem!...
Lá para trás do tempo da
escuridão
enquanto nascia a aurora
e muito depois de seres bípede
a habitar o chão…
Não sei se o milagre
pertence a Deus ou à Natureza
e se o mérito de começares a
articular os sons
te pertence por inteiro
e é só teu…
Nada iguala esse enorme feito
de te libertares do mundo
irracional
e ganhares o mundo da “razão”.
Ficou escrito nas estrelas
que nascera a Humanidade
e o Tempo começou a ser contado
pelo ritmo dos teus passos
e pelos inventos das tuas mãos…
Disseram os anjos, entre si,
que começara a civilização…
Alexandre de Castro
Lisboa,
Novembro de 2016
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Máscara carnavalesca…
Máscara
carnavalesca…
Esqueci-me do meu fato de
fantasias
neste Carnaval em que me
envolvo.
Não afivelei a máscara
ao rosto de todos os dias…
E como eu me sentiria estranho
no meio daquela gente
mascarada!
Não me reconheceria no meu
rosto verdadeiro…
Todos olhavam para mim
por certo revoltados
por eu usar a máscara
com que amanheço todos os dias.
Máscara real
colada à minha pele e aos meus
sentidos
que se ri na alegria
e que chora nos prantos
consentidos.
Máscara que faço e desfaço, a
meu belo prazer
nas contas que eu faço com a
vida…
Alexandre de Castro
Lisboa, s/ data
(Provavelmente do início da
década de oitenta, do século passado).
Recuperado do esquecimento em
Outubro de 2016. Foi um dos meus primeiros poemas.
domingo, 14 de agosto de 2016
POEMA: DESCRIÇÃO DA GUERRA EM GUERNICA _ Carlos de Oliveira [seguido por uma nota crítica].
DESCRIÇÃO DA
GUERRA EM GUERNICA
I
Entra pela janela
o anjo camponês;
com a terceira luz na mão;
minucioso, habituado
aos interiores do cereal,
aos utensílios
que dormem na fuligem;
os seus olhos rurais
não compreendem bem os símbolos
desta colheita: hélices,
motores furiosos;
e estende mais o braço; planta
no ar, como uma árvore,
a chama do candeeiro.
II
As outras duas luzes
são lisas, ofuscantes;
lembram a cal, o zinco branco
nas pedreiras;
ou nos umbrais
de cantaria aparelhada; bruscamente;
a arder; há o mesmo
branco na lâmpada do tecto;
o mesmo zinco
nas máquinas que voam
fabricando o incêndio; e assim,
por toda a parte,
a mesma cal mecânica
vibra os seus cutelos.
III
Ao alto; à esquerda;
onde aparece a linha da garganta,
a curva
distendida como
o gráfico dum grito;
o som é impossível; impede-o pelo menos
o animal fumegante;
com o peso das patas, com os longos
músculos negros; sem esquecer
o sal silencioso
no outro coração:
por cima dele; inútil; a mão desta
mulher de joelhos
entre as pernas do touro.
IV
Em baixo, contra o chão
de tijolo queimado,
os fragmentos de uma estátua;
ou o construtor da casa
já sem fio de prumo,
barro, sestas pobres? Quem
tenta salvar o dia,
o seu resíduo
de gente e poucos bens? Opor
à química da guerra,
aos reagentes dissolvendo
a construção, as traves,
este gládio,
esta palavra arcaica?
V
Mesa, madeira posta
próximo dos homens: pelo corte
da plaina,
a lixa ríspida,
a cera sobre o betume, os nós;
e dedos tacteando
as últimas rugosidades;
morosamente; com amor
do carpinteiro ao objecto
que nasceu
para viver na casa;
no sítio destinada há muito;
como se fosse, quase,
uma criança da família.
VI
O pássaro; a sua anatomia
rápida; forma cheia de pressa,
que se condensa
apenas o bastante
para ser visível no céu,
sem o ferir;
modelo de outros voos: nuvens;
e vento leve, folhas;
agora, atónito, abre as asas
no deserto da mesa;
tenta gritar às falsas aves
que a morte é diferente:
cruzar o céu com a suavidade
dum rumor a sumir-se.
VII
Cavalo; reprodutor
de luz nos prados; quando
respira, os brônquios;
dois frémitos de soro; exalam
essa névoa
que o primeiro sol transforma
muma crina trémula
sobre pastos e éguas; mas aqui
marcou-o o ferro
dos lavradores que o anjo ignora;
e endureceu-o de tal modo
que se entrega;
como as bestas bíblicas;
ao tétano ao furor.
VIII
Outra mulher: o susto
a entrar no pesadelo;
oprime-a o ar; e cada passo
é apenas peso: seios
donde os mamilos pendem,
gotas duras
de leite e medo; quase pedras;
memória tropeçando
em árvores, parentes,
num descampado vagaroso;
e amor também:
espécie de peso que produz
por dentro da mulher
os mesmos passos densos.
IX
Casas desidratadas
no alto forno; e olhando-as,
momentos antes de ruírem,
o anjo desolado
pensa: entre detritos
sem nenhum cerne ou água,
como anunciar
outra vez o milagre das salas;
dos quartos; crescendo cisco
a cisco, filho a filho?
as máquinas estranhas,
os motores com sede, nem sequer
o espírito das minhas casas;
evaporaram-no apenas.
X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar;
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura;
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos; com o suor da estrela
tatuada na testa.
Carlos
de Oliveira
(1921-1981)
Carlos
de Oliveira, escritor e poeta neo-realista, escreveu este vigoroso poema, ancorando-se nas
assombradas figuras da célebre tela de Picasso, para descrever a tragédia do
massacre de Guernica, na tarde de 26 de Abril de 1937, perpetrado pela Legião
Condor, corpo militar este constituído por várias esquadrilhas de modernos
aviões alemães e respectivos tripulantes, e que Hitler enviou em auxílio de
Franco, logo no início da Guerra Civil de Espanha.
Iniciou-se aqui uma nova fase na estratégia da guerra, a fase dos bombardeamentos intensivos de populações civis, os chamados bombardeamentos de saturação, conforme a nomenclatura usada pelos estrategas de Goering, e que tiveram trágica continuidade, logo a seguir, na II Guerra Mundial.
O poema de Carlos de Oliveira é um poema consistente, pesado no ritmo e milimetricamente preciso no plano descritivo do tema, obedecendo assim ao cânone da corrente literária neo-realista.
Ler o poema, tendo a memória fixada na figuração do quadro de Picasso, permite atingir o cume da percepção poética, quer captando a violência das palavras (“motores com sede”, “lixa ríspida”, “casas desidratadas”, “cal mecânica”, “sal silencioso”, “o gráfico de um grito”) , quer visionando o horror da barbárie perpetrada a sangue frio sobre um povo pacífico.
É através da tela de Picasso, que Carlos Oliveira exibe esse horror, plasmado em palavras, fazendo desfilar o camponês “habituado aos interiores do cereal", mas atónito, pois “os seus olhos rurais/não compreendem bem os símbolos/desta colheita: hélices/motores furiosos”; o construtor de casas “já sem fio de prumo” e o carpinteiro que talhou a mesa “com amor… ao objecto que nasceu/para viver na casa”. E que dizer do cavalo ferido e daquela mulher com “o susto a entrar no pesadelo” e com “seios/donde os mamilos pendem,/gotas duras/de leite e medo; quase pedras”.
Este processo de descrever um acontecimento, socorrendo-se das figuras pictóricas, tal como acontece neste poema, também foi ensaiado em prosa, com êxito, por Saramago, no capítulo introdutório do “Evangelho segundo Jesus Cristo”, descrevendo e inserindo literariamente, segundo a tradição bíblica, as personagens que presenciaram a cena da crucificação, e tal como aparecem figuradas num óleo renascentista.
Este é um poema de antologia, magnífico na forma e na palavra, belo nas imagens e duro no protesto e na indignação. É de guardar para reler. Mas, ele só pode ser entendido inteiramente, conhecendo a moldura histórica do acontecimento de Guernica e retendo nos olhos o dramatismo das imagens de Picasso.
Alexandre de Castro
31 JAN 2007
Guernica ou o manifesto político de P. Picasso _ por Ângela Veríssimo
*
Guernica
ou
o manifesto político de P. Picasso
por Ângela Veríssimo
Um dos quadros que melhor transmite todo
o desespero advindo da guerra é o intemporal Guernica de Pablo
Picasso, fazendo plena justiça à expressão "uma imagem vale por mil
palavras". No início de mais um ano, quase no fim do milénio, aqui neste
cantinho do Mundo Ocidental, é tempo de pensar no outro Mundo, cujos povos
vivem em palco de guerra, e para os quais nada resta senão esperar por dias de
paz.
Picasso
não tinha sido muito afectado pela I Guerra Mundial e só com a Guerra Civil
Espanhola se interessou por política, tornando-se vivamente solidário com os
republicanos. As fotografias que aparecem na imprensa no ínicio de Maio de 1937
relativas ao bombardeamento de Guernica (antiga capital do País Basco) em 36 de
Abril tocam-no profundamente. Passado pouco mais de um mês e após 45 estudos
preliminares, sai do seu atelier de Paris o painél Guernica (3.50x7.82
m) para ser colocado na frontaria do pavilhão espanhol da Exposição de Paris de
1937 dedicada ao progresso e à paz.
Rapidamente
o painél se transforma num objecto de protesto e denúncia contra a violência, a
guerra e a barbárie: "O quadro converte-se numa manifestação da
cultura na luta política, ou melhor dizendo, no símbolo da cultura que se opõe
à violência: Picasso opõe a criação do artista à
destruição da guerra"(1).
Donde
vem a genial monumentalidade que faz de Guernica uma obra tão
singular? Na minha opinião, o seu poder advém da carga emotiva que possui.
Efectivamente, o painél não representa o próprio acontecimento, o bombardeamento
de Guernica, mas "evoca, por uma série de
poderosas imagens, a agonia da guerra total"(2), chegando a
constituir uma visão profética da desgraça da guerra que
nos ameaça hoje e que nos ameaçará no próximo século que segundo S.
Huntington "se caracterizará por muitos conflitos de pequenas
dimensões"(3),
devido em grande parte à existência, na actualidade, de mais de meia centena de
estados fragéis e desintegrados. De facto, a destruição de Guernica foi a
primeira demonstração da técnica de bombardeamentos de saturação, mais tarde
empregue na II Guerra. Picasso já em fase pós-cubista, consegue aqui tornar o
acto pictórico na narração objectiva da ideia que formou perante o
acontecimento e da emoção que sentiu. Com ele,"a pintura carrega consigo o
seu património de experiências emocionais" deixando de ser "um
ideal abstracto de beleza formal ou de representação lírica da aparência
vísivel"2. Citando o artista: "Quando
alguém deseja exprimir a guerra, pode achar que é mais elegante e literário
representá-la por um arco e uma flecha, que de facto, são estéticamente mais
belos, mas quanto a mim (...) utilizaria uma metralhadora"(4).
Tecnicamente
tudo em Guernica contribui para a transmissão de emoções
avassaladoras a começar pelo uso da técnica de "collage" de que
Picasso e Braque tinham sido pioneiros em 1911-12 e que o primeiro aqui retoma,
já não "colando" objectos na superfície do quadro mas pintando como
se fizesse colagens; com este Cubismo de Colagens cria-se um conceito de espaço
pictórico radicalmente novo não criado por nenhum artifício ilusionista mas
pela sobreposição dos "recortes" planos, neste caso especifíco em
tons de preto e cinzento atravessados por claridades brancas e amareladas, numa
total ausência da cor, inexoravelmente evocativa da morte.
A
par disso, Picasso recorre a formas dramáticas, violentas, a fragmentações e
metamorfoses anatómicas que se por um lado criam figuras que não aderem a nenhum
modelo "real", por outro exprimem toda a realidade e agonia da dor
insuportável. A comprovar isso atente-se nas várias figuras que o pintor
representa neste quadro que aparentemente livre, obedece contudo a um rigoroso
esquema em termos de construção (imagine-se a tela dividida em 4 rectângulos,
com um triângulo cujo vértice corresponde ao eixo vertical que a divide em duas
partes iguais): a mãe chorando a morte do filho (descendentes da Pietà...) e o
ameaçador touro de cabeça humana, no 1º rectângulo, o "olho" luminoso
do candeeiro que derrama uma luz inóspita (no 2º), a mulher com a lâmpada na
mão recordando-nos a Estátua da Liberdade (no 3º) e o homem que em
desespero levanta os braços ao céu (no 4º). Repare-se ainda no cadáver
empunhando a espada partida (um emblema da resistência heróica) e o cavalo
ferido que aparecem no referido triângulo. O cavalo é à semelhança do touro uma
figura saída da mitologia espanhola; representa o povo que agoniza sob o jugo
opressor do touro, símbolo da brutalidade, das forças do mal.
Hoje,
olhar para Guernica é partilhar o horror que Picasso sentiu há 59
anos perante as imagens da destruição da povoação. Por isso, aqui vai um desejo
para o novo ano: que em 1996 tratados como os de Dayton não fiquem pelo papel e
que haja sempre um pensamento na mente dos homens: GUERNICA NUNCA MAIS!
(1) in "Entender a Pintura",
suplemento nº 2 da revista "Artes & Leilões", tradução de
Margarida Viegas. (continuar)
(2) H. W. JANSON: "História de Arte", 4ª
Edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 1989. (continuar)
(4) SECKLER, J.:"New Masses", 3 de Julho de 1945, citado em
"Entender a Pintura", suplemento nº 2 da revista "Artes &
Leilões", tradução de Margarida Viegas
terça-feira, 28 de junho de 2016
O amor...
![]() |
| Amor profundo _ Romero Brito |
O amor…
O amor descansa na lâmina de um punhal de prata,
à espera do sonho redentor, que ilumine a sua
reputação.
Só os fracos e os dementes são incapazes de
amar…
O amor é o limite do vácuo
uma semente de ternura, que nasce do botão de
uma rosa
e se
dissolve na boca dos amantes…
O amor pode ser cego
mas é a sua luz que dá claridade à noite…
O amor nunca envelhece
tem sempre a frescura da água das nascentes
e, tal como um rio, no seu curso,
ele também engravida a terra…
Alexandre de Castro
Lisboa, Junho de 2016
morrem-me os amigos…
morrem-me os amigos…
morrem-me
os amigos
morre-me
a esperança
e
eu vou morrendo também
no
dilúvio da tristeza
de
quem perseguiu o sonho
e
já não tem ninguém…
Alexandre
de Castro
Lisboa,
Junho de 2016
sábado, 25 de junho de 2016
A minha boca já é um deserto…
A minha boca já é um deserto…
A minha boca já é um deserto,
porque as palavras fogem e não regressam…
É o buraco negro do meu imenso firmamento
que engoliu todas as estrelas contadas
nas noites ácidas da solidão…
E
é na alegria da sombra de um oásis
que
as palavras resistem ao esquecimento,
esperando
o vento, que as liberte…
Alexandre de Castro
Lisboa, Junho de 2016
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Poema onde cabe o silêncio…
Poema onde cabe o
silêncio…
Falas-me
todos os dias
naqueles
teus silêncios mudos
em
que és a excelsa esfinge
e
a inefável musa…
Falas-me
com os teus olhos líquidos
pousados
na minha sombra
para
eu ouvir o eco do teu corpo
e
eu sinto o aperto do teu abraço
a
envolver o mundo,
e
mergulho no teu sono
onde
estão guardadas todas as tuas jóias…
Caminho
pelos trilhos da escuridão
entre
mundos que se repetem e se consomem
na
voracidade do tempo…
Jamais
me encontrarei comigo próprio…
Sou a raiz viva de uma árvore morta…
Alexandre
de Castro
Lisboa, Junho
de 2016
quarta-feira, 8 de junho de 2016
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Dissertação sobre a Arte, a propósito de uma coreografia sobre o Bolero, de Ravel
Maya Plisetskaya - Bolero (choreography by Maurice Béjart)
Dissertação sobre a Arte, a propósito
de
uma coreografia sobre o Bolero de Ravel
A todas as minhas amigas
e a todos os meus amigos
que fazem da arte um
destino e uma ambição.
Se a Arte derivou da racionalidade do Homem, sem
a qual não teria sido possível a sua existência e evolução, também é verdade
que a Arte serviu para humanizar a racionalidade humana, evitando-se assim a
sua "robotização biológica". O Homem também se humanizou, através da
Arte, na medida em que ela lhe moldou o sentido do Belo, do Sublime e do Sonho,
conceitos estes que lhe permitiram ultrapassar a fronteira do real e alcançar o
estado da abstracção.
Ao contrário da Política, da Economia, das Religiões e da Guerra, é a Arte que une os homens e fomenta a Paz. E é por isso que nos maravilhamos perante uma obra de Arte.
Ao contrário da Política, da Economia, das Religiões e da Guerra, é a Arte que une os homens e fomenta a Paz. E é por isso que nos maravilhamos perante uma obra de Arte.
É o que acontece ao assistirmos a esta dança,
concebida, pelo grande bailarino e coreógrafo, Maurice Béjart, sobre a música do Bolero de Ravel, em que as duas manifestações
artísticas se harmonizam e entrelaçam, através das suas linguagens próprias,
num equilíbrio estético sublime e grandioso, que desperta intensas e fortes
emoções.
E para atingir este desiderato, perante os
espectadores, só uma bailarina como Maya Plisetskaya, poderia emprestar o seu
corpo e talento para interpretar o Bolero de Ravel.
Um verdadeiro hino à dança, na sua melhor expressão artística e no seu fascinante esplendor.
Um verdadeiro hino à dança, na sua melhor expressão artística e no seu fascinante esplendor.
Alexandre de Castro
2016 06 o2
terça-feira, 31 de maio de 2016
Dissertação sobre o Flamenco [Poster]
Clicar para ampliar
![]() |
| FOTOMONTAGEM DE LEILA GOMES |
Amabilidade de Leila Gomes, a quem agradeço a iniciativa de ilustrar este meu poema, o que fez com grande mestria e talento, ao procurar equilíbrios estéticos, de grande efeito, na composição gráfica do conjunto.
Ver aqui a publicação original do poema.
domingo, 29 de maio de 2016
A Criação de Adão_ Michelangelo
![]() |
| ´A Criação de Adão' (1510) _ Michelangelo |
Há
uma força descomunal nesta composição pictórica, de Michelangelo, que se
desprende da figura divina e que a concentra por inteiro, tendo Adão, que a
recebe, apenas uma postura passiva.
Trata-se
de uma das grandes criações do génio humano, no conjunto das Letras e das
Artes, às quais se juntam a Eneida, de Virgílio, a Ilíada, de Homero, O Velho
Testamento, D. Quixote, de Cervantes, Hamlet, de Shakespeare, A Divina Comédia,
de Dante,.Os Lusíadas, de Camões, Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia
Marquez, Memorial do Convento, de Saramago, as Pirâmides do Egipto, a Mona
Lisa, de Leonardo de Vince, Guernica, de Picasso, A Tentação de Santo António,
de Dali, a 5ª Sinfonia de Beethoven, o Taj Mahal, na Índia, a Grande Muralha,
na China, a Sagrada Família, de Gaudi, a Catedral de Brasília, de Oscar
Niemeyer e os poemas Tabacaria, Poema em linha recta, O Guardador de rebanhos e
Ode marítima, de Fernando Pessoa (entre outros).
Quem
matar a sede e a fome nestes monumentais tesouros da Humanidade pode dizer que
conviveu com os deuses do Olimpo.
sábado, 28 de maio de 2016
Pesadelo...
Pesadelo…
A alma não sossega
rebola-se aos gritos
no pesadelo, durante a
noite,
afoga-se no turbilhão do
sangue em sobressalto
e delira, de madrugada,
exangue e dorida
cheia de feridas
de tantos atropelos contra
os ossos,
dorme durante o dia,
tranquila,
para meu sossego
até que o meu sono,
durante a noite,
a acorde…
Alexandre de Castro
Lisboa, Maio de 2016
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