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quarta-feira, 14 de março de 2018




Adeus, Stephen Hawking…


Foste habitar aquela estrela, que descobriste,
e pela qual te apaixonaste,
depois de teres encontrado Deus
num buraco negro, onde ELE se escondia,
para o obrigares a renegar tudo o que ELE dizia
sobre a criação do Universo e da vida humana…

Do teu corpo morto fizeste uma nova vida
para o nosso espanto,
pois não temos a tua força nem a tua inteligência
nem sabemos devorar as insónias
das galáxias, das estrelas, dos planetas e dos cometas
e tudo aquilo que a Física Quântica
provoca nas nossas cabeças
com as suas insondáveis incógnitas…

Nasceste no dia em que Galileu, há trezentos anos, morreu,
e morreste no dia em que Einstein nasceu,
na ponta final de dois séculos atrás,
e eu não sei se isto não foi uma partida de Deus,
para vos catalogar à entrada do céu…

O que eu sei é que vais levar os seus corações na tua mão
para que a Física vença a ignorância
e triunfe no meio das trevas e da escuridão…

Adeus, Stephen Hawking…

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2018

sexta-feira, 2 de março de 2018

Carta de Antuérpia





Carta de Antuérpia


A tua carta trouxe-me todo frio de Antuérpia
as palavras ainda vinham geladas
e as minhas mãos tremeram de medo,
aquele difuso medo da orfandade
e de ficar irremediavelmente perdido…

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2018

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Homine…




Homine…


Na Antiga Idade,
era uma mercadoria
uma mercadoria com vida
que de escravo seria…

Apagavam-lhe a identidade
para lhe negar a liberdade…

Na Média Idade,
promoveram-no a servo,
da gleba, dizia-se,
mas negavam-lhe a terra
que a um senhor pertencia…

Na Nova Idade
passou a operário
trabalhava mais de metade do dia,
na fábrica ou na mina,
cumprindo um doloroso horário
em que lhe sugavam o sangue
negando-lhe o justo salário…

E chamaram a isso democracia…

E hoje, embora livre,
e com direitos consignados
pelo regime liberal,
sendo amanuense ou operário, 
continua a ser escravo,
dos senhores do Grande Capital…

E andam a dizer que isto é mais democracia…

Alexandre de Castro

Lisboa, Fevereiro de 2018

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Recuso fazer a contabilidade da morte...






Recuso fazer a contabilidade da morte...


Recuso fazer a sinistra contabilidade
da morte, que companheiros ceifa,
o tempo escurece nas saliências da memória
e as flores da primavera já não são as mesmas
esgotam-se as incandescências da luz
que vestimos na juventude,
a endoidecer os astros
que nos acusavam aos deuses
das nossas tropelias e rebeldias…

Era o tempo puro da liberdade das aves
que não queriam morrer na praia nem no deserto…
Era a vida a pulsar nos punhos,
no turbilhão do sangue
e que agora morre, irremediavelmente,
no turbilhão do Tempo.

Alexandre de Castro

Lisboa, Dezembro de 2017

domingo, 10 de dezembro de 2017

Oração poética



Oração poética

Quando se fala de caridade
deve falar-se de fé e ideologia
e de  Isabel Jonet*
que trabalha de graça para Deus,
embora o Nazareno, sem saber a tabuada,
lhe tenha feito uma partida,
baralhando o jogo
com o milagre da multiplicação dos pães...

Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2017

*Directora do Banco Alimentar Contra a Fome

domingo, 5 de novembro de 2017

Há matéria para lá da matéria...




Há matéria para lá da matéria...


Para lá do Universo que se vê e se advinha
há um outro universo que se esconde
e não se deixa ver.
É a matéria escura,
onde mergulha o mistério…

E ainda não se sabe o nome do Deus
que lá habita
nem o do livro sagrado que escreveu…

Alexandre de Castro


Lisboa, Novembro de 2017

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Maio renasce em mim todos os anos…

Tatuagem sobre o signo Gémeos do Zodíaco


Maio renasce em mim todos os anos…

Maio renasce em mim todos os anos
na minha contabilidade entre o futuro e o passado
o Deve/Haver dos números de uma vida
entre passivos e activos, lucros e perdas
saldos negativos e positivos
registados no Livro do Tempo
de todos os calendários…

Maio renasce em mim todos os anos
na geometria da rotação da esfera
crescem os poliedros de arestas agrestes
e cortantes, que me atormentam…

Maio renasce em mim todos os anos
e hoje é o dia da conjunção de todos os astros
que se reuniram em secreto concílio
para me julgarem à revelia
por eu me ter revoltado contra os signos do Zodíaco…

Maio renasce em mim todos os anos…

Alexandre de Castro

Lisboa, Maio 2017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Elefante numa loja de porcelanas…

Nu, folhas verdes e busto _ Pablo Picasso



Elefante numa loja de porcelanas…

Há mulheres que escrevem poemas às escuras
na mão escrevem um nome de um santo.
Sentadas, ficam à espera que as tempestades
desabem sobre os homens das suas paixões
normalmente são mulheres estéreis
que foram educadas à sombra dos conventos
 e que se benzem antes do coito,
assombradas por medos ancestrais.
Tenho de as segurar nos abraços fatais
quando reviram os olhos nas órbitas dilatadas
e o corpo é uma haste trémula de um arbusto
sacudido pela passagem do vento.
Não há um sorriso de encantamento,
naqueles rostos cerrados, habituados à clausura
apenas o fantasma do pecado
e a sombra negra do pesadelo nas noites brancas…

Alexandre de Castro
Lisboa, Abril 2017

domingo, 30 de abril de 2017

Poema da Salvação…



Poema da Salvação…

Regressaste até mim, descalça e submissa
depois de teres ido experimentar as cores do mundo.
Mas eu não te quero assim.
Quero-te mulher livre e mulher inteira,
tal como te conheci…

Alexandre de Castro

Abril 2017