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domingo, 10 de dezembro de 2017

Oração poética



Oração poética

Quando se fala de caridade
deve falar-se de fé e ideologia
e de  Isabel Jonet*
que trabalha de graça para Deus,
embora o Nazareno, sem saber a tabuada,
lhe tenha feito uma partida,
baralhando o jogo
com o milagre da multiplicação dos pães...

Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2017

*Directora do Banco Alimentar Contra a Fome

domingo, 5 de novembro de 2017

Há matéria para lá da matéria...




Há matéria para lá da matéria...


Para lá do Universo que se vê e se advinha
há um outro universo que se esconde
e não se deixa ver.
É a matéria escura,
onde mergulha o mistério…

E ainda não se sabe o nome do Deus
que lá habita
nem o do livro sagrado que escreveu…

Alexandre de Castro


Lisboa, Novembro de 2017

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Maio renasce em mim todos os anos…

Tatuagem sobre o signo Gémeos do Zodíaco


Maio renasce em mim todos os anos…

Maio renasce em mim todos os anos
na minha contabilidade entre o futuro e o passado
o Deve/Haver dos números de uma vida
entre passivos e activos, lucros e perdas
saldos negativos e positivos
registados no Livro do Tempo
de todos os calendários…

Maio renasce em mim todos os anos
na geometria da rotação da esfera
crescem os poliedros de arestas agrestes
e cortantes, que me atormentam…

Maio renasce em mim todos os anos
e hoje é o dia da conjunção de todos os astros
que se reuniram em secreto concílio
para me julgarem à revelia
por eu me ter revoltado contra os signos do Zodíaco…

Maio renasce em mim todos os anos…

Alexandre de Castro

Lisboa, Maio 2017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Elefante numa loja de porcelanas…

Nu, folhas verdes e busto _ Pablo Picasso



Elefante numa loja de porcelanas…

Há mulheres que escrevem poemas às escuras
na mão escrevem um nome de um santo.
Sentadas, ficam à espera que as tempestades
desabem sobre os homens das suas paixões
normalmente são mulheres estéreis
que foram educadas à sombra dos conventos
 e que se benzem antes do coito,
assombradas por medos ancestrais.
Tenho de as segurar nos abraços fatais
quando reviram os olhos nas órbitas dilatadas
e o corpo é uma haste trémula de um arbusto
sacudido pela passagem do vento.
Não há um sorriso de encantamento,
naqueles rostos cerrados, habituados à clausura
apenas o fantasma do pecado
e a sombra negra do pesadelo nas noites brancas…

Alexandre de Castro
Lisboa, Abril 2017

domingo, 30 de abril de 2017

Poema da Salvação…



Poema da Salvação…

Regressaste até mim, descalça e submissa
depois de teres ido experimentar as cores do mundo.
Mas eu não te quero assim.
Quero-te mulher livre e mulher inteira,
tal como te conheci…

Alexandre de Castro

Abril 2017