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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Gostava de escrever-te um poema de amor…

Pintura de Salvador Dali

Gostava de escrever-te um poema de amor…

Gostava de escrever-te um poema de amor
um poema quente, terno,
um poema diferente,
um poema para além do tempo
e que tu guardasses no espelho do teu quarto
como uma relíquia sagrada, como se fosse
uma manifestação de Fé.
Mas começa a faltar-me o horizonte
para além dos dias…
Falta-me o eterno segredo das árvores seculares,
que, mesmo estando mortas,
continuam hirtas,
continuando de pé
como se estivessem vivas…

Alexandre de Castro

Lisboa, Janeiro de 2016

Gostava de escrever-te um poema de amor…



Gostava de escrever-te um poema de amor…

Gostava de escrever-te um poema de amor
um poema quente, terno,
um poema diferente,
um poema para além do tempo
e que tu guardasses no espelho do teu quarto
como uma relíquia sagrada, como se fosse
uma manifestação de Fé.
Mas começa a faltar-me o horizonte
para além dos dias…
Falta-me o eterno segredo das árvores seculares,
que, mesmo estando mortas,
continuam hirtas,
continuando de pé
como se estivessem vivas…

Alexandre de Castro

Lisboa, Janeiro de 2016

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Esta noite choveu prata sobre o rio...

Escultura de João Cutileiro – Lago das Tágides, Parque das Nações, Lisboa
Fotografia de Jaime Silva

Esta noite choveu prata sobre o rio

Esta noite choveu prata sobre o rio
eram lágrimas de dor do sufoco do poema
derramadas às portas da cidade… 
E Lisboa emudeceu...

Ficarei a vaguear por aqui
banhando-me no rio com as Tágides
até ao dia das auroras e da reverberação da luz
na lâmina líquida das águas
e a acordar todos os sonhos adormecidos...
...
E Lisboa adormeceu… 

Alexandre de Castro


Lisboa, Dezembro de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dissertação sobre o canto do teu encanto… [seguido de um postulado e de um axioma]



Dissertação sobre o canto do teu encanto…
[seguido de um postulado e de um axioma]

O teu canto está no teu encanto
E o teu encanto vem da tua alma generosa e bela
que flutua na delicadeza das nuvens,
entre o Céu e a Terra, e que nos seduz
na harmonia celestial da luz.

Pelo teu corpo e pelos teus poemas
desce lentamente o manto diáfano da brancura,
com que te vestes.
Sabes conquistar a paz, no tormento da guerra.
Sabes que todos nós andamos sequiosos de palavras doces,
tanta é a amargura dos dias e das noites.
Sabes tudo isso...
E eu não sei como devolver-te tanta ternura,
que veio agarrada às palavras e ao teu gesto.
Já não sei...

Apenas posso oferecer-te palavras quentes,
que já não aquecem,
ideias gastas pelo tempo,
que já não motivam
florestas de árvores
que já não ardem, nem incendeiam paixões.
 
Ainda posso oferecer-te
o universo inteiro dos meus sonhos,
- os que alimentam a fome que me consome.
É nele que guardarei o teu amor,
porque nunca esquecerei o canto do teu encanto…

Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2015

Se a catedral que construíste e em que habitas é "o canto do teu encanto", então, eu fico, para receber a bênção dos céus. Queimarei 0 Sol que incendeia as areias do deserto, para que os teus poemas, que tu dizes serem meus, sobrevivam ao esgotamento do tempo. 

Postulado místico-religioso, seguido de um axioma da Física Quântica, que se acrescenta ao poema e à sua natureza, tendo sido escrito, segundo as Escrituras, e levando, como garantia sagrada, o selo divino. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Querias um tempo com as policromias das aves tropicais…


*


Querias um tempo com as policromias das aves tropicais…

À Súh Floyd
(Uma amiga fiel, de há muito tempo)


Todos os artefactos, de que te rodeias,
desenham o teu corpo de diva
– a vertigem de um corpo alado de mulher
a voar em frente dos espelhos, em círculos
criativos, a marcar as mutações dos gestos e das poses.
A franja garrida do cabelo era uma irreverência constante
(e a mim dizias-me: querido, isto é uma ternura minha)
a desafiar a ordem estabelecida pelas academias,
que tu renegaste quando ouviste pela primeira vez a
a rebeldia a sair de um disco dos Pink Floyds,
e tu começaste logo a cantar o Another Brik in the Wall
enquanto curvavas o corpo para o auto-retrato do dia.
Os anéis e os colares étnicos eram os sinais da ancestralidade perdida,
e tu querias que eu te levasse para os lugares divinos
do movimento underground, para cantarmos no Hyde Park
uma miscelânea de rock psicadélico e surf music
Querias ser um ícone a anunciar a ruptura do tempo…
Querias um tempo com as policromias das aves tropicais…

Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A última declaração de amor…



A última declaração de amor…

Quando começarmos a decapitar e a enforcar as estátuas
é porque já estamos em declínio.
É o tempo em que o tempo se escapa pelos dedos.
E isto também é verdade para as praias e para os búzios.
Infelizmente...
Depois do naufrágio,
irei novamente subir as escarpas dos rochedos
que guardam a praia.
E ali ficarei a olhar o luzeiro do céu,
para ver as estrelas a incendiar as almas.
Farei então a minha última declaração de amor.

Alexandre de Castro


Lisboa, Novembro de 2015


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Talvez ainda tenha tempo…


Talvez ainda tenha tempo…

Dizem que o fogo purifica tudo
e que limpa a alma quando se consome
mas eu tenho fogueiras a arder dentro de mim
que abrem feridas antigas que ainda sangram
já não sou o que fui nem serei o que sou
nem os hálitos dos céus abrem os caminhos
que sempre quis viver.
Tudo se dispersa nos ventos do deserto
quando fico sozinho
nada me liberta e me sossega
nem a memória dos sonhos, de quando era criança
ainda tenho as roupas do cavaleiro andante
e nas botas as esporas da esperança
jaz morto e arrefece o menino de sua mãe, disse um poeta
e eu sinto um frio imenso
mas talvez ainda tenha tempo…

Alexandre de Castro

Lisboa, Novembro de 2015

sábado, 31 de outubro de 2015

Poema aos ventos dos céus




Poema aos ventos dos céus


Ah!... Como é dilacerante
a luta entre o Espírito e a carne
entre a Matéria e o Verbo
a Terra treme debaixo dos meus pés
quando amo
e todos os sonhos do mundo
cabem dentro de mim…

Não há paz no Universo
para meu sossego…

Procuro-te, oh deusa dos céus
dentro da minha visão lunática
que me leva ao princípio dos abismos…

Tudo se apaga à minha volta
e só consigo ver o luzeiro do céu estrelado
e o galope dos ventos cósmicos
que te fecundam…

Alexandre de Castro

Lisboa, Outubro de 2015

domingo, 18 de outubro de 2015

Poema do amanhecer…


Poema do amanhecer…

agora já não é essa loucura
de que me acusas
porque deus morreu
e a loucura  já é outra
fico suspenso de ti
quando habitas o éter das nuvens
e eu te quero dar o que habita dentro de mim…

Alexandre de Castro

Lisboa, Outubro de 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O beijo do poema…


O beijo do poema…

Aproximo-me de ti
por um beijo, por uma flor
por um instante de carinho
que me falta e que me seduz
tudo em mim é confuso
dentro da solidão de estar sozinho
falta a luz que ilumina os sonhos
 que me consomem os desejos
e tudo à volta é secura de desertos
praças vazias, sem árvores e sem gente
pássaros sem asas que morrem no rio
talvez seja isto o amor, já não sei,
mas é de amor o beijo
que deixo no poema.

Alexandre Castro

Lisboa, Outubro de 2015

segunda-feira, 16 de março de 2015

Desilusão…


Desilusão…

Na madrugada em que os sonhos se diluem
na luz coada do orvalho
a desilusão inundou-me a alma,
e uma grande tristeza e uma grande mágoa
abriram a ferida antiga, que agora sangra,
porque o rio secou, deixando as margens desertas
e vazias, que se incendiaram
com as reverberações metálicas da luz do meio-dia…

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2015

segunda-feira, 2 de março de 2015

Hoje os sinos tocaram por ti…


Hoje os sinos tocaram por ti…

A uma amiga que partiu

Hoje, os sinos tocaram por ti
o teu corpo ardeu numa tocha na órbita dos astros
fez-se noite e a noite guardou a tua sombra
quando se apagou o luzeiro do céu
o vento do deserto já levou as cinzas
que tu quiseste que fossem minhas
e eu senti a vertigem dos abismos
debaixo dos meus pés e ouvi os gritos das aves
que chamavam por ti…

Alexandre de Castro

Lisboa, Fevereiro de 2012 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fotografias da memória: Homenagem em linha ascendente… [Poema]


João de Castro (poeta e dramaturgo) | avô paterno

João de Castro (poeta e dramaturgo) | avô paterno
Linhares de Ansiães

Idalina Alice Costa | avó paterna

Álvaro de Castro (poeta) | tio-avô paterno
Linhares de Ansiães

Guilherme Lopes Trigo e Maria da Conceição | avós maternos

Virgílio de Castro (estudante no Porto) | meu pai

Meu pai e minha mãe, Ana Júlia Lopes
(Carrazeda de Ansiães)
***«»***

escultura sem título de Roberto Aizenberg

Homenagem em linha ascendente…

Aos meus pais
Aos meus avós

Ainda não paguei a dívida da vossa dádiva.
Nem sei se a pagarei.
O pó do tempo dissolve-se na memória
e ainda sinto o veludo dos afagos
e o respirar das vossas vidas.
As palavras ainda são as mesmas
- as desenhadas pelas incandescências
do fogo dos vossos lábios
e pelo eco das ressonâncias das vossas falas.
E é assim que vos trago no meu peito
enquanto vou traçando as marcas do meu caminho…

Alexandre de Castro

Lisboa, Dezembro de 2014