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sexta-feira, 14 de abril de 2017

É urgente um poema…


É urgente um poema…

Encanto do meu canto...
Glicínia de um poema,
que ainda ninguém escreveu,
porque a "poeta" ultrapassa as barreiras
de todas as metáforas conhecidas
e de todas aquelas que ainda não foram inventadas.
E é urgente um poema!...
E tu serás sempre "poema",
na alma e na carne
na fronteira do sonho 
que me alimenta os dias,
mesmo antes de seres mulher inteira,
bela e exacta…

Alexandre de Castro

Lisboa, Abril 2017

2017 04 14

quinta-feira, 30 de março de 2017

É este o fulgor do instante…


É este o fulgor do instante…

Há rostos que se escondem no silêncio e na ausência
e eu apenas os posso ver através da minha cegueira.
É este o fulgor do instante,
quando o instante se revela em toda a sua plenitude.
É de ti, que há-de vir o último sopro de vida
que me liberte da escuridão dos dias…

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2017

Ver também aqui.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Nos destroços da demência e da memória…



Nos destroços da demência e da memória…

E eu, no meio da minha cegueira,
entre as linhas que nos separam,
digo-te esta mentira, que reclamas:
“já me esqueci de ti...
Nunca te amei, desde que te vi.
Nem as feridas eram verdadeiras,
nem os beijos ardiam nos meus lábios,
nem os poemas, que te dediquei, eram meus.
Tudo era falso”.
E, agora, nos destroços da demência e da memória,
sofro com a verdade, porque sempre te amei…

Alexandre de Castro
Fevereiro de 2017

sábado, 26 de novembro de 2016

Para Fidel Castro…




Para Fidel Castro…


As árvores ficaram despidas e nuas
quando a tua voz se calou na sombra da noite
e os astros incandescentes se apagaram
ouviram-se os pássaros pendurados nos alpendres
e um relâmpago riscou o céu
da Serra Maestra até Havana
a iluminar o caminho da glória
da tua marcha heróica e triunfal…

Agora, junto a tua voz à minha memória
e à memória da voz do companheiro Che Guevara,
o outro astro incandescente da nova aurora
o outro herói da gesta revolucionária
que acendeu em nós a chama da liberdade
e que morreu lutando pelo sonho que sonhou…
Hasta siempre, comandante Fidel Castro…

Alexandre de Castro

Lisboa, Novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

Agarrei o beijo…



Agarrei o beijo…

agarrei o beijo
na volatilidade do ar
e beijei o beijo
como se te beijasse a ti

soprado pelos teus lábios
vinha no enlevo do carinho
e aqueceu o que em mim já estava frio

e depois voou
levando o meu beijo
invertendo o caminho
para chegar ao fim do seu destino
um destino que será o meu…

Alexandre de Castro


Lisboa, Novembro de 2016


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Homo erectus



Homo erectus

Foi através da mão
que ganhaste o pensamento, oh Homem!...
Lá para trás do tempo da escuridão
enquanto nascia a aurora
e muito depois de seres bípede
a habitar o chão…

Não sei se o milagre
pertence a Deus ou à Natureza
e se o mérito de começares a articular os sons
te pertence por inteiro
e é só teu…

Nada iguala esse enorme feito
de te libertares do mundo irracional
e ganhares o mundo da “razão”.

Ficou escrito nas estrelas
que nascera a Humanidade
e o Tempo começou a ser contado
pelo ritmo dos teus passos
e pelos inventos das tuas mãos…

Disseram os anjos, entre si, que começara a civilização…

Alexandre de Castro

Lisboa, Novembro de 2016



terça-feira, 18 de outubro de 2016

Máscara carnavalesca…



Máscara carnavalesca…

Esqueci-me do meu fato de fantasias
neste Carnaval em que me envolvo.
Não afivelei a máscara
ao rosto de todos os dias…

E como eu me sentiria estranho
no meio daquela gente mascarada!
Não me reconheceria no meu rosto verdadeiro…

Todos olhavam para mim
por certo revoltados
por eu usar a máscara
com que amanheço todos os dias.

Máscara real
colada à minha pele e aos meus sentidos
que se ri na alegria
e que chora nos prantos consentidos.

Máscara que faço e desfaço, a meu belo prazer
nas contas que eu faço com a vida…

Alexandre de Castro

Lisboa, s/ data
(Provavelmente do início da década de oitenta, do século passado).

Recuperado do esquecimento em Outubro de 2016. Foi um dos meus primeiros poemas.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O amor...

Amor profundo _ Romero Brito

O amor…


O amor descansa na lâmina de um punhal de prata,
à espera do sonho redentor, que ilumine a sua reputação.

Só os fracos e os dementes são incapazes de amar…

O amor é o limite do vácuo
uma semente de ternura, que nasce do botão de uma rosa
 e se dissolve na boca dos amantes…

O amor pode ser cego
mas é a sua luz que dá claridade à noite…

O amor nunca envelhece
tem sempre a frescura da água das nascentes
e, tal como um rio, no seu curso,
ele também engravida a terra…

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2016

morrem-me os amigos…



morrem-me os amigos…


morrem-me os amigos
morre-me a esperança
e eu vou morrendo também
no dilúvio da tristeza
de quem perseguiu  o sonho
e já não tem ninguém…

Alexandre de Castro

Lisboa,  Junho de 2016

sábado, 25 de junho de 2016

A minha boca já é um deserto…




A minha boca já é um deserto…


A minha boca já é um deserto,
porque as palavras fogem e não regressam…

É o buraco negro do meu imenso firmamento
que engoliu todas as estrelas contadas
nas noites ácidas da solidão…

E é na alegria da sombra de um oásis
que as palavras resistem ao esquecimento,
esperando o vento, que as liberte…

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2016

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Poema onde cabe o silêncio…



Poema onde cabe o silêncio…

Falas-me todos os dias
naqueles teus silêncios mudos
em que és a excelsa  esfinge
e a inefável  musa…
Falas-me com os teus olhos líquidos
pousados na minha sombra
para eu ouvir o eco do teu corpo
e eu sinto o aperto do teu abraço
a envolver o mundo,
e mergulho no teu sono
onde estão guardadas todas as tuas jóias…
Caminho pelos trilhos da escuridão
entre mundos que se repetem e se consomem
na voracidade do tempo…

Jamais me encontrarei comigo próprio…
Sou a raiz viva de uma árvore morta…

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2016

sábado, 28 de maio de 2016

Pesadelo...

O Grito _ Edward Munch

Pesadelo…

A alma não sossega 
rebola-se aos gritos
no pesadelo, durante a noite,
afoga-se no turbilhão do sangue em sobressalto
e delira, de madrugada,
exangue e dorida
cheia de feridas
de tantos atropelos contra os ossos,
dorme durante o dia, tranquila,
para meu sossego
até que o meu sono, durante a noite,
a acorde…
Alexandre de Castro


Lisboa, Maio de 2016

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Foi naquela tarde, em Borlänge...

Mulher africana – Isabelle Vita


Foi naquela tarde, em Borlänge...


À Tessa Asplund, a afro-sueca, de aspecto frágil, que fez parar a frente de uma manifestação de neo-nazis

O teu gesto, que da razão fez a força, desarmou os que, através da força, querem ter sempre razão.
Há momentos de uma difusa claridade, em que a verdade se ilumina de repente e de uma forma fulminante.


Foi naquela tarde, em Borlänge,
negra de bandeiras, de suásticas e de caveiras,
que, da fragilidade trémula de um caule,
nasceu uma flor.
Uma pérola negra do rebento de uma semente antiga
- da memória do tempo dos escravos -
venceu a Besta, que não pára de escoicinhar.
A arma secreta e mortífera foi esse teu gesto digno
de entrares nua no covill
e de derrubares as muralhas,
da fortaleza onde habitam as serpentes.
Ergueste o teu punho de prata, 
onde guardas as sombras dos teus sonhos
e eu já não tive tempo
de oferecer-te um cravo vermelho, de Abril...

Alexandre de Castro

Maio de 2016

domingo, 13 de dezembro de 2015

Quando danças à espera do meu abraço…



Quando danças à espera do meu abraço…

Pluma de uma dança esvoaçante, silhueta de luz
flutuante, na delicadeza dos teus passos
o corpo a desdobrar-se, ganhando formas
e sentidos em constantes movimentos.
Ondulações suaves na busca da harmonia,
cortando o  ar ao  dardejar  dos braços,
em apelos vibrantes ao fogo do meu olhar
e a cavalgar os hinos de sinfonias mitológicas,
que decifras a cada instante.

Sinto o bafo quente que exalas quando falas
desse  teu  corpo  que se eleva, suspenso e tenso,
numa leveza etérea, ausência da gravidade
que a todos amarra à Terra,
e és uma linha firme, o fio de uma lâmina
brilhando no firmamento,
na apoteose final do meu abraço…

Alexandre de Castro

Lisboa, Novembro de 2012

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Àquela hora…



Àquela hora…


Àquela hora
das noites acordadas
em que aparecias,
tudo se agitava
em euforias ressuscitadas.
Agora, é o vazio,
das escadas que não rangem
da porta semiaberta que não se fecha
da ausência dos teus passos lentos.
Uma solidão enorme
de silêncio
de asfixia
de sufoco
um mar imenso
sem navios
e aquele medo do escuro
e de ficar só!

Alexandre de Castro

Lisboa, Maio de 2007 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Estátua




Estátua

Não sei se fechei as cortinas
da janela do teu quarto
quando nos medimos
a olhar um para o outro
as mãos estavam inquietas
e nervosas, à espera do teu sinal
e tu continuavas imóvel
como uma estátua
e nunca cheguei a saber
se eras mármore ou granito
à espera que eu esculpisse
o teu corpo em sobressalto.

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2007

terça-feira, 3 de março de 2015

Cavalgada nos Andes


Cavalgada nos Andes


Cavalgo sobre o teu corpo de índia
de nervuras seculares à flor da pele,
mestiçagem de amor nas dobras dos Andes ...
Percorro o corredor do teu medo ancestral
através do mistério do teu olhar negro ...
A tua altivez de estátua, muda e fria,
desafia os cumes brancos
da montanha ...

Gelo e vento, remoinhos de revolta
a povoar o espaço morto do teu passado ...
E o teu vulcão
é um grito sufocado de amor e guerra
que faz tremer a encosta do teu ventre ...

Alexandre de Castro 

MAI /85

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Poema para Sophia


Poema para Sophia*

À poetisa
Sophia de Mello Breyner Andresen

O mar, sempre o mar
no feitiço do teu olhar
as palavras soltas
na rebentação da boca
como se respirasses pelas ondas
a tua poesia é sempre azul
com cheiros a maresia
e colheste da areia
todos os búzios que havia na praia
para o teu encantamento
agora sei e compreendo
da razão do teu espanto
quando te banhaste
com os deuses gregos
nas águas do mar Egeu
e os adoraste numa noite de luar
abraçada às colunas do Parthénon
para assim ascenderes
à tua condição divina.

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2009

* As referências ao tema “mar” preenchem grande parte da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, assim como os temas da cultura da Antiguidade Clássica, que estudou na Faculdade. Uma viagem, que fez à Grécia, proporcionou-lhe a inspiração para escrever alguns dos seus mais belos poemas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

E este é o mundo que nos pertence...




E este é o mundo que nos pertence…



Ao Jorge, o meu amigo/irmão


Mãos cheias de nada
e de vento
uma lágrima de sangue de uma criança
brilhando ao sol
ossos da fome pendurados na esquina
da esperança
olhares aflitos a sufocar os gritos
contra os muros da indiferença
mãos que falam e se agitam
e todo o mundo separado
pela fronteira da cegueira
E este é o mundo que nos pertence
e que nos deixaram
e que se perdeu na esfera do tempo
sem qualquer mudança!...

Alexandre de Castro

Lisboa, Abril de 2013